sexta-feira, 3 de junho de 2011

Dia das Mães - Tudo o que o amor supera

Aqui tem um pedacinho do depoimento da minha amiga A. Eu a admiro demais, gosto dela demais, e acompanho sua história com interesse e com carinho, torcendo a cada obstáculo ultrapassado. Afirmo que ela é uma mulher especial, como todas nós gostaríamos de ser: bonita, moderna, culta, descolada e, principalmente, corajosa.



"(...) Aos 2 meses de gestação, com sangramento e fazendo ultrassom, a médica (fria como um gelo) disse: "a sua gravidez parece ter sido interrompida, não há sinal de batimento cardíaco e o tamanho do feto é inadequado. Volte daqui uma semana para vermos se ainda há vida".

Passados os 7 dias, voltei ao ultrassom e lá estava meu pequenino bebê com vida! Aos 6 meses de gravidez, voltamos de mudança para nossa cidade. A gravidez foi tranquila, até desconfiarem de um possível problema no cérebro, no entanto não sabiam dizer o que era. (...) Nasceu.

Quase o perdemos por diversas vezes. Juntando as dificuldades com as quais o bebê passava, a insensibilidade dos profissionais que o atendiam, a incapacidade dos médicos em diagnosticar, os tratamentos errados, etc ....foi um período de muito sofrimento. Sofrimento para o bebê que passava por exames e tratamentos invasivos ao seu pequenino e frágil corpinho. Sofrimento para nós que não conhecíamos suas necessidades e não sabíamos  o que fazer, pois não havia um diagnóstico definido.

Aos 8 meses, dentre outras coisas, foi diagnosticada uma má formação na "ponte" que liga os dois hemisférios cerebrais: agenesia do corpo caloso. Foi como se a casa caísse em minha cabeça. Queria voltar no tempo, concertar o que estava errado. Refazer o exame. Mostrar que não era verdade. Não dava pra acreditar. Chorei. Chorei muito. Como eu podia ter gerado uma criança com problemas de saúde tão sério? Ele iria sofrer e a culpa era minha.

Dias depois, enquanto um dos médicos tentava me explicar as consequências da agenesia, perguntei: "mas doutor, ele vai querer pegar a caneta em cima da mesa e não vai conseguir, ou ele não terá vontade de pegar a caneta?" E o médico respondeu: "ele nem vai saber o que é querer pegar a caneta, nem saberá da existência da caneta".

Após o diagnóstico, nos deparamos com médicos pessimistas, mas também com médicos mais equilibrados que diziam "não dá para saber o que ele conseguirá ou não fazer, cada um é um caso diferente, temos que estimular e esperar". 

Passamos então por algumas fases muito difíceis. Primeiro a de luto. Sim, pois quando engravidamos, criamos uma expectativa, simulamos um filho, inconscientemente imaginamos como será a sua vida. 

Compramos aquelas revistas de grávida para acompanhar e ver que tipo de atividade nosso pequeno fará e em qual idade, acompanhamos as fases do desenvolvimento para comemorar quando o filho já engatinha, já fala, já bate palminha. Descartei minhas revistas, elas já não faziam mais sentido. O filho "idealizado" havia morrido. Tive que sepultá-lo.

Ainda no luto. Fiz vários questionamentos. Primeiro queria saber o motivo. Por quê? O que eu fiz de errado para que meu filho tivesse essa consequência? Por que comigo? Por que o MEU filho?



Quando as pessoas querendo confortar, diziam que Deus havia me escolhido para ter uma criança especial, porque sabia que eu era forte e tal. Como se houvesse uma cota de bebês com problemas para serem distribuídos entre "pessoas fortes". Ah, nessas horas, como eu desejava ser fraca!

Aprendi a não me chatear com o tapinha nas costas acompanhado de um "vai dar tudocerto, você vai ver" e com outras manifestações superficiais de preocupação. Passei a valorizar conversa com pessoas que realmente escutavam, dispostas a ouvirem meu choro e verem meu olhar cheio de dúvidas sem a preocupação de darem uma resposta. Depois, passei para a fase do "para quê?" Será que havia alguma finalidade? Se havia eu queria aprender.

Quando minhas forças, minhas explicações, se acabaram....quando eu realmente me esvaziei , dizendo para Deus o quanto eu estava magoada, indignada e inconformada com aquela situação... Quando me lancei totalmente, sem medo de dizer a Ele o que eu realmente sentia, Deus, como um pai amoroso, pode pegar-me ao colo. Eu me senti perto Dele. Acolhida e protegida.

Por mais doloroso que fosse, passei a agradecer a Deus, todos os dias, pela vida do meu filho. Passei a cantar, mesmo que ainda com dor e lágrimas, palavras de aceitação e de encorajamento para o meu tão pequenino menino. Nascia um novo filho para mim. Uma criança diferente sim, mas que eu queria conhecer e fazê-la sentir-se amada. (...)"



ATENÇÃO: 

Neste post, publiquei somente um trecho do depoimento de A. 



24 comentários:

Alê postou o comentário número:

É muito bom vir aqui e ler histórias tão reais. Pensei que os posts sobre as mães estivesse acabado, mas foi muito bom me surpreender e ler essa história cheia de emoção e verdade.
Bjo grande,

Alê

Neli Rodrigues postou o comentário número:

Posso estar enganada, mas acho que conheço esta história. Foi p/ isto que Deus colocou as mães no mundo, p/ cuidar dos filhos Dele e Ele não daria uma missão tão especial prá qualquer um...tem que ser alguém especial tb.
Que bom que todo esforço e dedicação tem surtido resultados positivos.
Parabéns p/ a mamãe A.
Que ela continue tendo muiiiitos resultados positivos com seu filhote e conseguindo dar atenção ao seu primogênito.
Bjs♥

Ana Paula Santiago (inventandocasa.blogspot.com) postou o comentário número:

Fernanda,
Você não faz ideia do presente que me deu me apresentando a A. Esta mulher única, delicada e forte, sensível e batalhadora, que tem uma presença doce, mas que deixa sua marca. Amo essa menina, foi empatia, simpatia, carinho tudo junto já desde o primeiro email. Já me aconselhei com ela, já dei conselho. É uma amizade que quero carregar por toda vida. Um precioso presente me dado por vc, que nos uniu.
Obrigada A. Doce amiga.
Obrigada Fernanda, por mais isto.
Beijos nas duas.

cáh postou o comentário número:

amiga amei a idéia desses posts com depoimentos... é muito bom chegar aqui e ler uma história tão comovente como está, sinceramente para mim é uma forma de ver como minha vida é ótima, de como tenho a agradecer e pricipalmente pedir forças para estas pessoas iluminadas que nos dão a honra de conhecer um pouco de sua história...
bjks e bom find

Roberta M. postou o comentário número:

Fer, sao depoimentos como esse que nos fazem refletir e agradecer a Deus tudo que temos!! Beijocas

Fran Matias postou o comentário número:

me emocionei muito com essa
história... já li todas as outras
e a cada dia elas me acrescentam mais
sobre o que realmente é ser MÃE!
Realente agora que estou grávida posso
dizer que nós idealizamos o tipo do filho
perfeito na nossa cabeça e que deve mesmo ser muito dificil aceitar quando isso não acontece!
Oro todos os dias pela vida do meu bebê
que agora está se formando!

Isabela Figueiredo postou o comentário número:

Pena que o mês de maio acabou... Mas você poderia continuar postando essas lindas estórias. Adoro-as !!
Que Deus abençõe e ampare essa mulher fantástica !! Estou muito emocionada.
Beijinhos,

Turquezza postou o comentário número:

Somos seres humanos, passamos por cada provação e ainda bem que temos força para seguir em frente ...
Diga para A ler o Blog Dário de uma Mãe Polvo e pode dizer que eu Turquezza quem recomendou ......
Ela vai aprender e ensinar muito, tenho certeza!
A Mari do blog é uma mãe sofrida mas que vai à luta com muito amor e carinho! E consegue viver o dia a dia bem feliz.
Beijos.

Luci Hora postou o comentário número:

Meu Deus! Que história, hein? Estou emocionada e a aprtir de agora vou orar muito para que Deus dê muita força para essa mãe!! Um beijo.

Giuliana: postou o comentário número:

Essas histórias reais cada uma emocionante na sua particularidade.

A. é uma guerreira, uma linda mãe, tão humana, tão incomparável. Estou tão emocionada com a sua história, com todo o carinho que ela dedica aos seus príncipes, por se permitir se sentir frágil. Mas a força que ela exala é contagiante.

Que Deus dê ainda mais forças para A. e sua família, para conseguir superar todas as dificuldades que estão por surgir. Eles são muito abençoados. ;oD

Beijos

Cinderela Descaída postou o comentário número:

Fiquei muito tocada! Nem sei direito o que comentar.
bjs,

pudimdeideias postou o comentário número:

Difícil dizer alguma coisa.. fiquei pensando nas merdas que as pessoas falam pras outras e que caem como bomba em quem as escuta.. a gente tem mania de se meter na vida de pessoas que a gente desconhece o histórico de dor, de luta.
Espero que teus filhos sejam muito felizes e conquistem o mundo, cada um do seu jeitinho. E que tu possa dar muita risada junto deles.
Um beijo, Terla

Celena postou o comentário número:

Oi Fernanda, passei pra desejar um otimo final de semana. bjoca.

Márcia postou o comentário número:

Eu tenho uma amiga próxima que tem um filho especial. E no clube que eu frequento existem alguns casos tb. Eu olho para aquelas mães e fico pensando como eu reagiria no caso delas. Pq uma criança assim exige um cuidado contínuo, integral. É sua total responsabilidade, e a dedicação em sua forma máxima. Eu só posso desejar força para essa mãe!!!

Lola postou o comentário número:

Fiquei tocada com a história de A. Não é fácil criar um filho, imagino como deve ser difícil cuidar de alguém que exige muito da gente. Mas pra isso que existe mãe, no sentido lindo da palavra né? Força para vc A. Sempre!

Fer, adoro esses depoimentos!

Bjs e um ótimo final de semana!

Kelly postou o comentário número:

OiFernanda, tudo bem? emocionante essa história, de tão cansada de ouvir besteiras das pessoas na hora de desespero, eu procuro não dizer nada, nessas horas um abraço diz tudo. beijos

Bia Jubiart postou o comentário número:

Comovente história e exemplo... Acho nem nem cabe comentários, só reflexão...

beijoooooooooo

Ana Paula postou o comentário número:

Li o seu comentário e convite para a Laely, mas não resisti e vim conhecer histórias que emocionam, e também nos fazem refletir. Adorei. Beijo

ladodeforadocoracao.blogspot.com

Grace postou o comentário número:

Eu vi nesse post uma mãe que aprendeu a aceitar as limitações do seu filho, sem forçá-lo a ser e fazer o que ainda não tem condições. Que teve de jogar fora todos os sonhos idealizados, diante da realidade que se apresentou. E também teve de parar de compará-lo com outras crianças, já que sua referência de "normalidade" é outra.

Fico me perguntando, no entanto, se, com tudo isso, essa mãe já aprendeu a aplicar os mesmos ensinamentos consigo: aceitar suas limitações como mulher e mãe, sem exigir de si mais do que tem condições no momento; abrir mão de seu ideal materno e de maternidade; e parar de comparar-se com outras mulheres que têm filhos.

Cada um é único e tem vivências únicas na vida. Bobagem comparar-se com outros e querer ou tentar ser igual a eles. Agindo assim, perde-se tempo e energia que deveriam ser usados para ser si mesmo, desabrochando e oferecendo sua singularidade ao mundo.

Essa mãe está tendo a oportunidade singular de aprender o que muitas mulheres, com filhos considerados "normais", não aprendem em uma vida inteira: abandonar as ilusões e as expectativas que levam à desilusão, aceitando seus filhos como realmente são. Quantas mães passam a vida cobrando um desempenho exemplar dos filhos... Tornam-se chatas e neuróticas.

Sugiro a leitura de um post escrito em parceria com um amigo espiritual: http://luznaconsciencia.blogspot.com/2011/05/sinfonia-da-vida.html

E outro que tem a ver com o tema maternidade, para quem se interessa por espiritualidade: http://luznaconsciencia.blogspot.com/2011/04/aborto-do-ponto-de-vista-espiritual.html

Iara postou o comentário número:

Bem, que eu havia fugido já tinha confessado, cada post me emocionava tanto que eu precisava de um dia para voltar ao normal, então pensei, voltarei aos poucos, lerei aos poucos, afinal meio que moro neste blog mesmo, venho aqui todo dia.
E hoje decidi ler mais um, e que história emocionante, de luta, de garra, de superação, de força materna. Uma vez eu li em um livro (não lembro qual), que ter um filho com síndrome de down é como comprar uma passagem para a Holanda e o avião te deixar em um país totalmente diferente, no começo, você ficará muito chateado, triste, porque afinal não conhecerá a Holanda, mas depois verá que naquele país também existe lindas coisas para conhecer, belos lugares para ir, e mesmo que durante toda a vida você
às vezes lembre que não conheceu a Holanda, também lembrará das coisas bonitas que conheceu no outro país. Lendo esse depoimento (apesar de saber que não é o mesmo problema), lembrei desta história que li há muito tempo, e pensei, espero de coração que essa mãe e esse filho encontrem a cada dia lindas paisagens, belos lugares, caminhos maravilhosos para percorrer neste país que não é a Holanda mas há de ser muito enriquecedor e lindo também.
Abraços com carinho.

Cibele Leite postou o comentário número:

Fer, me emocionei com a história de vida da A. ela me enviou o link, já sabia alguma coisa mas não na integra.
Tenho uma história de vida muito triste, muito recente, vou escrever um e-mail e te enviar.

Um super beijo

Alessandra Ramos postou o comentário número:

Fernanda, tudo bem?
Querida cheguei aqui procurando uma coisa, e encontrei algo muito forte,um depoimento sincero. As pessoas só sabem admitir numa situação destas, a parte bonita, "e vivemos felizes para sempre" me identifiquei muito com tudo o que A. passou. Médicos, pessoas querendo confortar, os que perguntam algo só por perguntar, nossas crises e questionamentos. No meu caso fui eu que fiquei doente, com filhos pequenos, marido, apartamento recém comprado nos esperando, esperando uma melhora que não vinha... Enfim, estou preparando meu depoimento para colocar no meu blog. Gostaria de saber se posso publicar este depoimento, você autoriza?
A. é um exemplo, e a história nos remete à reflexão sobre muitas coisas...
Um abraço!
Alê
@ale_rms
http://ale-dreams.net

DE TUDO UM POUCO postou o comentário número:

Nossa Fernanda realmente é emocionante ver tanta sinceridade escritas... Diga a ela que DEUS sabe o que faz sou espirita e na minha verdade o João soube escolher muito bem a mãe dele.
Se você esta mostrando os comentarios a ela diga a ela que me orgulho dela e que ela saiba que precisando estou aqui.
Meu filho de 3 anos diagnosticado com Epilepsia não sabemos o grau ainda, desde o começo do ano teve 4 confulsões... e ja li tantos depoimento de mães que dizem que o filho tem varias confulsões que me sinti aliviada.
Mas diga a ela que chorei muito e que agradeço a Deus pois, sei que a doenças piores... e que eu e o meu marido Daniel iremos fazer de tudo para que nosso filho cumpra a sua missão de evoluir.
QUE TENHO CERTEZA QUE SUA AMIGA ESTA CUMPRINDO A MISSÃO DE AJUDAR O JOÃO A EVOLUIR.
DIGA A ELA QUE ADOREI O QUE ELA ESCREVEU POIS, CONSEGUIU TRASMITIR OS SEUS SENTIMOS PARA O PAPEL.
BEIJOS E BOA SEMANA

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