sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O Patinho Feio

Era para ser um depoimento da Dieta Coletiva, mas acho que cabe publicá-lo hoje, fechando esta semana de depoimentos fortes e inspiradores. 

Esta moça sofreu bastante, ficou muito doente, com depressão e síndrome do pânico, mas conseguiu acordar do pesadelo. E ela acordou com  a ajuda de seu príncipe encantado. Acordar sozinha, ou com a ajuda da família, de psicoterapeutas, de amigos, não faz diferença. O que faz diferença é querer sair da doença e lutar.

Ela autorizou que eu publicasse seu depoimento, seu nome e seu link de blog, mas não farei isto agora. O anonimato não serve somente para proteger a identidade de quem conta a sua história. O anonimato serve também para que as pessoas comentem sem filtros, dando sua opinião em relação ao caso que foi narrado, sem medo de desagradar quem o escreveu.  

" Eu no momento teria que perder uns 30 quilos, talvez 25. Sempre fui 'gordinha' e parecia feliz, todos me queriam por perto, a amiga legal, sempre de bem com a vida, mas ninguém estava comigo, no meu quarto, depois de uma balada. Na minha vida toda, comecei inúmeras dietas, emagrecia alguns quilos e depois tornava a ganhá-los, às vezes até mais, sempre lutando contra a balança. 

Vivia rodeada de amigas lindas (eu me achava o patinho feio do grupo) e meninos muito gatos, mas eles só queriam ser meus amigos. Tive alguns namoradinhos, nada sério, uns muito apaixonados até, mas não deixava eles chegarem muito perto porque parecia que 'gorda' não podia namorar menino bonito. Foi assim a adolescência toda, chorando, me achando feia, enfim... Adoeci.

Não quero convencer ninguém de que ser gorda é bom, mas foi preciso me aceitar e estar bem comigo mesma. Sofri de tanto tomar remédios para emagrecer, desenvolvi doença do pânico, com grau elevadíssimo, as consequências desses remédios não vem a jato, mas uma hora vem. Nem banho sozinha eu conseguia tomar, de tanto medo que me daria uma crise. Passei um ano inteirinho sem ir na varanda da casa dos meus pais (na época eu não era casada ainda). Eu parecia bicho acuado. 

Certo dia conheci um gatinho muito fofo, de cabelinhos encaracolados e tímido, fala doce e mansa. Nos tornamos amigos, olhares, conversas. E foi essa pessoa calma, tranquila e gentil, que aos poucos foi me ensinando que gordinha também é gente, que ama, sofre como toda magra, que eu era interessante, sexy e muito atraente. Foi ai que acordei para o mundo. 

Pensei: eu posso tudo! Decidi que não iria mais ter pena de mim e nunca mais iria permitir ser discriminada por essa sociedade preconceituosa, não iria me tornar uma coitada aos olhos de todos. Nesse dia decidi que seria FELIZ. Nessa ocasião tinha 21 anos.

Hoje continuo gordinha, feliz e desencanada. Me amo, me acho sexy e inteligente (convencida eu?). Sofro, choro, esperneio, mas não é pelo meu porte físico, mas sim por problemas como qualquer magro tem.

Ah! E aquele menino com cabelinho encaracolado, gentil e doce, é hoje meu marido. Estamos juntos há 19 anos (15 anos de casados). Para ele não existe mulher mais bonita do que eu (eeeeeeeeeee) Como amo esse meu maridinho!

Cada um tem que se dar valor, não deixar as pessoas dizerem como você tem que ser. Se você quer ser magro corra atrás, mas não fique tendo pena de si mesmo, eu sei que é dificil, mas tente que dá. A partir do momento que eu me aceitei e comecei a olhar para mim sem preconceitos, os quem me rodeavam também passaram a me ver assim, ou já me viam assim, e eu é que não percebia.

Sei que ganhei um grande presente de Deus que foi essa pessoa iluminada, que chegou e me deu uma sacudida para a vida, mas não precisa ser necessariamente um amor, pode ser uma amiga ou parente. Eu olho para cima, faço uma oração e agradeço a Deus por tudo que sou hoje e da pessoa feliz que me tornei.

Precisei passar por tudo isso para dar valor a mim mesma. Devemos prestar atenção aos sinais que a vida nos dá e buscar as mudança necessárias."

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(Clique aqui e conheça a autora deste depoimento, no JEITO FELIZ DE SER)


20 comentários:

Bia Jubiart postou o comentário número:

Bom dia Fernanda!

Lendo este corajoso depoimento começo a pensar cá com meus botões que um pouco da gordura também se aloja na cabeça... Quem realmente tem problema de aceitação de não ser um modelo propagado pela mídia, tem que procurar ajuda profissional para emagrecer ou se aceitar, o que não dá é ficar se lamentando...

Dia 19 (segunda-feira), temos lançamento na Jubiart, dê uma escapadinha e viagem na nova Coleção “Primitivus”...
Um dia iluminado p/ vc!
Beijo no coração!

Neli Rodrigues postou o comentário número:

Que bom que houve um depoimento com final feliz. Grande lição de vida ela nos deu e vale pra qualquer problema, a gente é quem tem que se ligar pra sair do buraco.
Eu tenho uma amiga no mundo real, bem gordinha, que tem síndrome do pânico, mas eu sinto que ela se acomodou, ela faz tratamento mas qdo dá uma melhorada, abandona o tratamento, ela não é casada e fez a família toda mudar para se acomodar ao jeito dela ser, moravam em SP ai mudaram pro interior pois era melhor pra ELA. Tudo o que a família faz é pra satisfazer o gosto DELA e assim vai, com tudo sendo feito pra se adequar a ELA, e com isso ela não vê necessidade de sair desse buraco, uma pena.
Bjs♥

Graziela Franco postou o comentário número:

Lindo depoimento!
"A beleza está nos olhos de quem vê"... É assim que devemos olhar, com os olhos da alma, enxergando a essência, pois a beleza física, além de efêmera, é uma questão de gosto.
Nem sempre o que me agrada vai agradar a todos, mas certamente, se eu me gosto, é mais fácil ser "gostada", querida, amada...
E sei bem o que estou falando, pois devido ao tratamento de saúde que estou tendo que fazer, já engordei quase 30 quilos.
Não vou dizer que não sofro ao ver as mudanças em meu corpo, mas quando lembro das dores (que agora quase não sinto), acho que estou linda!!! kkkk... E tenho que ser feliz!!!
Não estou fazendo apologia à gordura, mas se tenho uma família linda, trabalho com o que gosto, tenho amigos especiais, sinto Deus perto de mim... Perto disso tudo, que diferença faz o peso?
Só se for para dizer que agora sou quase 30 quilos mais feliz que antes! rs...

Telma Maciel postou o comentário número:

Olha, acho q as pessoas com síndrome do pânico ou depressão precisam de MUITO apoio mesmo! Eu não me importo se a pessoa é gorda, magra, feia ou bonita. O que importa é o que ela pensa de si própria! Mas ainda estamos da 'Ditadura da Beleza' e o que os outros pensam/falam é mais importante do que o que a pessoa sente. Não pode ser assim!
Fico feliz qndo vejo pessoas dando a volta por cima!
O depoimento dessa colega é precioso exemplo pra muita gente!
E eu uma vez fui acusada de ter chamado uma pessoa de gorda. Acredito que foi só pra provocar uma confusão, mas ainda bem q o marido me conhece e sabe o tanto q acho essa pessoa linda! Odeio qndo colocam palavras na minha boca, principalmente sobre preconceitos q não sinto! Hunf
Beijo e mtas felicidades pra amiga do depoimento (e pro marido, q a ajudou a sair dessa!)

Luciana Aragão postou o comentário número:

Pra mim foi situação inversa, sempre fui magrérrima e sempre me senti feinha por ser magra demais e até hj sou pequena e magra e isso não é motivo de felicidades mil como muitas acham...agora depois de casada consegui ganhar uns 2 quilos e melhorar um pouco. Era e ainda é chato vc ouvi as pessoas falarem na sua cara: aff como vc tá magra!! Parecia que estavam falando com nojo..eu odiava ouvir isso. Hoje eu nem tô ligando mais pra isso, acho que de tanto ouvir, me acostumei...ja tive depressão também na adolescencia por motivo de magreza mas só estou contando isso nem sei porque, acho que de tanto ouvir os relatos de queixas por gorduras, obesidade...me instigou a relatar aqui. Hoje eu tô legal, trabalho, tenho minha casa estou voltando a fazer minhas artes e só tá faltando aprender a ser mais vaidosa. É isso, hoje deu vontade de falar.
beijos Fenanda

Rosana postou o comentário número:

Também me sinto um patinho feio, desengonçada, não sei me arrumar e quando enfeito muito... tiro tudo antes de sair de casa, senão não saio! É muito triste.

Karen, viagens e outras coisitas más ... postou o comentário número:

Bom dia Fernanda, tenho acompanhado as histórias aqui no blog, e me identifiquei um pouco com o depoimento de hoje.
Assim como "essa moça" ,também passei por angustias e depressões ao longo da vida, mas dei a volta por cima e com ajuda psicológica sai do turbilhão negro e voltei a vida.
Beijos carinhosos.

Flávia Mergulhão postou o comentário número:

O problema desta questão de ser gordo ou magro é que "nosso mundo cruel" esteriotipou que "Bonito é ser magro" e as pessoas vão em busca disso, sem medir as consequencias...
Bonito é ser gentil, viver de bem com a vida, respeitar o próximo...para isso pouco importa o seu peso. Lógico que tem que se pensar na saúde também.
Acho que as pessoas tem que viver e ser feliz. E como disse no comentário do outro post: se aceitar!
Não é porque a moda é todo mundo ser loira que eu vou sair metendo água oxigenada no meu cabelo, entendem?
Parabéns a esta moça por este depoimento e por tentar abrir os olhos das pessoas que estão passando por isso!
AMEM- SE MAIS!!!!

Celena postou o comentário número:

Lindo o depoimento, nos faz pensar o quanto somos felizes com o que temos e somos...bjs bom final de semana...

Tami Fonseca postou o comentário número:

ÁS VEZES ME SINTO UM PATINHO FEIO...MAIS TENHO UM MARIDO MARAVILHOSO QUE SEMPRE ME DIZ QUE SOU LINDA,E ISSO ELEVA MINHA AUTO ESTIMA...
ÓTIMO FDS PRA VC...BJINHUXXX

Adriana Balreira postou o comentário número:

Fer,
Eu sou como a Luciana, sempre fui a magra, a seca, a esqueletica. As pessoas gordinhas nunca pensam como as magrinhas demais também sofrem discriminação e deboche das pessoas também!
Já tive namorados que me chamavam de seca, magra...Nada que eu colocava em mim me agradava. Achava que me deixava mais magra ou que a roupa parecia que não era para mim.
Muito ruim mesmo. Aceitar o nosso corpo seja lá cheinho ou não é que é o X da questão. Temos que nos aceitar. E sermos felizes dessa maneira. Hoje graças a Deus já me aceito mais, mas ainda estou trabalhando essa aceitação...

Beijos
Adriana

Turquezza postou o comentário número:

Na minha infância adolescência eu era magra, magra demais (as pernas mais grossinhas, mas não mais que isso).
E tudo mundo dizia que eu não comia, que precisava de "sustância" (como detesto essa palavra!).
Então, eu não me sentia bem com meu corpo, peito então era zero rsrs
Não era bunduda nem peituda, e isso era o fim ...... Apenas era bonitinha de olhos claros então desviavam à atenção para meu rosto. Mas eu me olhava no espelho e só via ossos rsrs
Tinha meio que vergonha do meu corpo.
Depois, namorei, casei, tive filho e sempre magra aff!
Quando entrei nos "enta" fiquei mais gordinha e os ossinhos ficaram escondidos um pouco, mas nunca deixei de ser vaidosa, sair, viver a vida.
A gente tem que se gostar primeiro, dar valor a nós mesmas, então não importa o corpo), o que vale mais é a mente alegre por estar viva e com saúde.
Beijos.

Leonor Siqueira postou o comentário número:

Adoro suas matérias, porque são reais de gente de verdade, vivemos em um mundo com muita fantasia e as vezes é preciso acordar.
Beijos e um ótimo final de semana!

Bibia Bueno postou o comentário número:

Poxa, eu gostaria de trocar contatos com a amiga do relato, além de gordinha feliz, sofri muito de pânico e minhas crises às vezes volto. Sinto tanta falta de conversar com quem já passou por isso, sempre me ajuda me sentir menos só...

bibiabueno@gmail.com

Keli Cristina postou o comentário número:

Que lindo depoimento!
Isso é verdade, agente que tem que aceitar agente como somos....agente é que tem que erguer a cabeça e enxergar a vida com outros olhos, mais uma ajudinha amiga sempre é bem vinda!!!
Eleva a auto estima.
Amei Fernanda,final feliz é sempre ótimo!
Abraços Keli.
Link:lugaresecoisasquemeagradam.blogspot.com

Val postou o comentário número:

me vejo muito como essa menina! Bom seria que as pessoas não julgassem tanto as outras pela aparência delas.
Mas isso seria pedir demais. Então, que ninguém mais sofra com isso. bjs

Lola postou o comentário número:

Se sentir amada faz toda a diferença em tudo na vida.
O amor é o balsámo capaz de aliviar a dor, cicatrizar feridas, dar coragem, ousadia. O Amor pra mim é o pai de toda beleza.
Com amor,
Lola

Drika postou o comentário número:

o amor e tudo na vida da gente neh... q lindo depoimento...
Aceitar-se é fundamental! Ser gordinha, magrinha, alta, baixa não é motivo para ser infeliz! Bjux

Dona Amélia postou o comentário número:

Entendo um bocado do que a frô descreve. Sempre convivi com os apelidos, as brincadeiras maldosas e as ameaças: se não emagrecer ninguém vai querer namorar com você. Sempre respondi que quem sairia perdendo era o cara que não quisesse. Mas não dá pra mentir pra si mesma dizendo que não dói, pois dói muito. Mas é só mesmo o amor que nos traz a aceitação e o entendimento. E é o amor a si mesma, mesmo que ele venha de mãos dadas com o amor de outros por nós!

Mais um depoimento que me toca...
Obrigada, frô e Fer, por dividirem conosco!

Xêros às duas!
Paty

Missilene Carvalho postou o comentário número:

"Devemos prestar atenção aos sinais que a vida nos dá e buscar as mudança necessárias..."
Essa frase é tudo que precisava para fortalecer ainda mais o que penso. A vida está aqui, precisamos vive-la da melhor maneira possível, sendo muitíssimo FELIZ. Parabéns!!!

Beijos
Missilene Carvalho

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