sábado, 18 de maio de 2013

Celebrando a Vida - Raquel e sua Avó Mila




Raquel Ramos do blog Superlinda veio nos convidar para celebrarmos com ela o centenário de nascimento de sua avó Mila, que é no dia 19 de Maio. Com certeza, Dona Mila fez grande diferença em sua comunidade. Parabéns, Raquel!


"Nós morávamos em Tijucas (SC) uma pequena cidade, onde não há quem não tenha conhecido a Dona Mila, a tia Mila ou a Dona Emília Ramos.

Ela era enfermeira obstetra, a parteira da cidade. Profissão a qual se agarrou, para sustentar seus dois filhos, após o falecimento de seu marido. Presença marcante, personalidade forte, porte físico grande, muito bonita, elegante, sempre bem vestida.

Na profissão ela foi brilhante. Cerca de 10.000 crianças nasceram em suas mãos, numa época, em que os partos eram feitos em casa, pela parteira.

Todos os dias ela almoçava na nossa casa, que ficava no caminho, entre o Posto de Saúde onde trabalhava e a casa onde morava. Próximo ao meio dia, sempre ouvia meu pai dizendo: - "Pode servir o almoço, porque a Nina chegou".

Somente meu pai se dirigia a ela chamando-a de Nina, não sei porque razão. Sentados à mesa, minha mãe, invariavelmente perguntava-lhe: E como foi sua noite? Isto porque todas as noites, alguém ia buscar minha avó em casa para fazer partos.

Fosse onde fosse, ela se levantava de madrugada para atender suas pacientes. O transporte podia ser carroça, carro de boi, automóvel ou a pé, ela nunca se negava. Com frio, com chuva, lá ia ela. E não foram poucas as vezes que ela fez mais de um parto por noite.

Por seus relatos, ficávamos também sabendo, se o parto havia sido fácil ou difícil, se nasceu menina ou menino, se uma só criança ou gêmeos. Eram muitas também as histórias, da parturiente, do marido, da sogra ou da mãe. Casos engraçados, alguns tristes.

Quando minha avó faleceu, durante o seu velório apesar da tristeza, muitas vezes rimos, porque toda pessoa que vinha para nos dar os pêsames, nos contava uma história que conhecia. Ou era do seu próprio parto, ou do parto da vizinha, ou da cunhada, de uma tia...

Hoje, na cidade, existe avenida com seu nome, sala cultural num asilo de idosos, e qualquer homenagem à personalidades da cidade, seu nome está incluído. Não faltarão a ela eventos comemorativos a passagem de seu centenário de nascimento no próximo dia 19 de maio.

Como avó, ela também cumpriu seu papel no verdadeiro sentido da palavra. Coisa boa era ir para a casa da Vó Mila!

Com as três netas meninas, ela brincava de boneca, de ir à manicure (ela fazia nossa unha da mão e do pé) e a melhor das brincadeiras na qual ela era especializada. Brincávamos de grávida (com travesseiro amarrado na barriga), íamos na D.Mila fazer exame.

Ela nos colocava deitadas na mesa para exames que havia em seu consultório, ouvia o coração do nenê com seu estetoscópio de madeira e nos dava o diagnóstico, dizendo que o bebê estava muito bem, quando deveria nascer e quando deveríamos voltar para novo exame (risos).

Quando seus bisnetos nasceram, ela já com a idade mais avançada, não trabalhava mais como parteira, mas dos cuidados pós parto das netas e do primeiro banho até o umbigo no nenê cair, era sempre ela quem cuidava.


Vó Mila com o bisneto Bernardo


Vinha para a nossa casa, cuidava de nós no período chamado "resguardo", ao qual os antigos, davam muita importância, fazendo canja de galinha, e mingau de maizena polvilhado de canela (hum hum hum) de sobremesa.

Não escondia a preferência que tinha pelo seu primeiro neto, Roberto, meu irmão. Ela comprava a camisa para todo o time futebol de crianças, desde que o Roberto pudesse jogar; no final do jogo todos iam para sua casa tomar o lanche que ela fazia. Fora o dinheirinho, (rsrsrs) que ela sempre colocava no bolso dele para o picolé.

Ciúmes infantis e brincadeiras à parte, ela foi para todas nós uma avó maravilhosa.




Vó Mila dando banho no bisneto Vinícius







5 comentários:

Lauisa Nogueira postou o comentário número:

Parabéns a sua Vó Mila..fiquei arrepiada com esse post...que exemplo de mulher.e viva as parteiras..beijus e obrigada Fê mais uma vez

Raquel Ramos dos Anjos postou o comentário número:

Sou a primeira a comentar....Fernanda obrigada pela oportunidade de contar a história de uma grande mulher, a minha " Vó Mila".

Lúcia Soares postou o comentário número:

Raquel, que lindas lembranças da sua avó!
A vida só vale quando somos saudade, mas com alegria no coração e a certeza de que fizemos bem feito.
Uma amorzinho sua avó Mila.
Beijo!
Beijos friorentos (aí, para vocês), Fernanda.

Telma Maciel postou o comentário número:

Que delícia de post!!! Linda essa Vó Mila, gente! Q prazer deve ter sido conviver com essa mulher! Adorei o texto!
Bjs

Adelaide Araçai postou o comentário número:

Que exemplo de vida está avó nos deixa..sim pois são relatos como esse que enobrecem. Mulher rica em feitos e amor a família e ao próximo.

Abraços

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