terça-feira, 13 de maio de 2014

Mãe sem Filhos? - Depoimento Dia das Mães



Dando continuidade à série Dia das Mães na visão não comercial, trago hoje o depoimento da K., que é como vamos chamá-la, mantendo o anonimato a seu pedido, por questões familiares.




K. é uma amiga a quem admiro muito, e vai nos contar sobre o filho que ela tanto ama, mas que não pode ter por perto. Por que uma mulher precisa sofrer com esse tipo de separação? 





"Sempre me perguntaram como é viver longe de um filho. Minha vontade sempre foi pedir pra pessoa sentar que eu iria contar uma longa história. Mas apenas desconverso, pois dizer “não é fácil” parece um resumo tão injusto de toda a história, de tudo o que passei e que passo...



Tudo começou quando me separei, numa relação complicada. Não tinha para onde ir, nem emprego. Tinha parentes que moravam longe, numa casa simples. Numa situação de desespero, fiz as malas e fui. Sem meu filho...



Fiquei meses dividindo uma cama de solteiro com uma amiga num quarto minúsculo. Durante um tempo, fui muito julgada por pessoas que não sabiam de toda a história, e que ignoravam o fato de eu estar pensando no meu filho em cada atitude tomada. Fui acusada de abandoná-lo, de ter feito coisas que nunca fiz. E isso é comum, pois na sociedade em que vivemos, é “mais fácil” julgar a mulher.



Logo arrumei um emprego e o visitava sempre que possível, mas era complicado, pois eu tinha que ser forte em dobro para ouvir e lidar com coisas que eu não queria.



A cada visita ele demonstrava uma fase diferente, às vezes todas juntas. À distância, eu tinha que decifrá-lo. Mas, no meio disso tudo, havia a lembrança do que minha mãe sempre me dizia: “coração de mãe nunca se engana”. Era confiar nos meus instintos e sempre fazer as escolhas que melhor o beneficiassem.



Já cheguei a acreditar que meu filho me odiava, mesmo sem eu ter motivos para isso. Mas não desisti. Eu tinha tanto amor, que de alguma forma eu achava que era o suficiente para mudar qualquer coisa. E eu não estava errada.



Tudo, tudo, tudo que faço é pensando no meu filho. Cada passo, cada projeto, cada decisão. Ele é minha maior motivação, e foi a pessoa que eu mais pensava quando em determinado momento da minha vida, pensei que talvez não tivesse forças o suficiente para seguir em frente .




Durmo e acordo pensando nele. Vejo crianças na rua, e penso nele. Fico pensando nos desenhos que ele gosta, nos momentos da escola, e em tantas coisas que distante, eu perdi.



No fim, a ausência não nos separou. São muitos fatores que dificultaram nossa aproximação, mas aos poucos, vamos provando a todos que não existe barreiras contra o amor, ainda mais quando se trata de mãe e filho.



Hoje em dia, eu me considero uma pessoa com uma vida que sempre sonhei. Tenho um trabalho que me traz felicidades, uma pessoa ao meu lado e amigos que me apoiam. Me orgulho das coisas que superei para chegar até aqui. E, além de tudo isso, tenho o amor do meu filho, o amor que um dia eu cheguei a acreditar que fosse impossível. Eu não posso reclamar de nada!



Às vezes, penso no que eu diria quando, lá na frente, ele me perguntar o motivo de tudo. Às vezes, penso que ele não vai nunca me perguntar. Imagino nós dois obtendo todas as respostas em silêncio, em cada encontro, em cada abraço, em cada olhar.



Se eu fiz as escolhas certas? Se eu sou a mãe ideal? Se eu faria tudo de novo? Esqueço de todas as perguntas e respostas quando, por alguns momentos, posso ver o sorriso de quem me faz me sentir a pessoa mais feliz e realizada do mundo!"





Este post participa da blogagem coletiva Fotografia do blog Moça de Família da Dani Moreno. Visite-a!



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16 comentários:

Nanda Gonçalves postou o comentário número:

que depoimento lindo,
uma história que parecia que ia ter um final triste mas
teve uma reviravolta e teve um final maravilhoso.
parabéns por nunca ter desistido do amor do seu filho.
Nanda
beijokas
Lindo Dia
Sendo a mãe da Isa e da Gabi
Google+Nanda

lu kowalski postou o comentário número:

Só que passa pela situação sabe o quanto dói ficar longe do filho, as vezes é a melhor decisão para ambos, mas nunca é a mais fácil.... meu filho mora em outro estado, com o pai e não tem um dia que não penso nele e no que estou perdendo.... as vezes tbm bate aquela sensação de "mãe de merda"... mas sei que no momento é melhor pra ele estar la, onde só posso visitar 2, 3 vezes no ano....espero pelo dia que ele vai voltar a morar comigo e trazer de volta a parte que falta no meu coração.

BetaArteira postou o comentário número:

Parabéns pois mesmo com tantas provações ela não desistio do amor do seu filho.
Beijokas

Rogéria Ferreira Thompson postou o comentário número:

Só passando para dizer que chorei!!!
Imagino a dor dessa mãe e tudo o que tem passado desde então, mas acredito que o amor de mãe tudo supera e que um filho nunca rejeita esse amor sincero.
Calma que tudo tem seu tempo, seu tempo de ser feliz plenamente ao lado de seu filho chegará!!!
Parabéns pela força... já ouvi muito "dividir para somar", foi isso, vc dividiu/separou quando foi mais que preciso e agora vai somar. Acredite!! Bjs, para a K., nela vi milhares de mulheres que passam pela mesma dor.
Bjs, Fer pela iniciativa de trazer essas histórias para nós.

Diacuy Piccione postou o comentário número:

Que depoimento, forte, sincero e lindo! Amei.
Parabéns K por ser quem é.
Adorei seu post Fernanda

Renata postou o comentário número:

Oi Fer!

Imagino o quanto há de sentimento pelo que não se falou...uma mãe muitas vezes faz escolhas difíceis porque quem está do outro lado nem sempre entende.

Beijos, Renata
palpitandoemtudo

Sonia Tolfo postou o comentário número:

O amor é mais forte do que tudo, com certeza! Sua mãe tinha razão - coração de mãe nunca se engana.
Belo depoimento!
Abraço!
Sonia

Vera Moraes postou o comentário número:

Cada um sabe o tamanho e o peso da cruz que consegue carregar. Portanto, ninguém pode julgar as escolhas dos outros. Sempre fui sozinha para criar meu filho, mas contei com o apoio inicial de meus pais. Isso foi determinante para que eu fizesse minha escolha. Em um momento precisei me afastar para poder trabalhar em outras cidades e garantir seu sustento e poder proporcionar conforto material. Houve perdas e ganhos. A maior cobrança é a de nós mesmos. Porém, assim como aquela placa na cabeceira da cama de Chico Xavier, "Tudo passa...". Essa moça ainda tem um caminho longo que será preenchido com muitas alegrias! Bjus!

Lola postou o comentário número:

Não consigo me colocar no lugar de quem tem um filho distante...pela separação ou até pela morte. Muito difícil pra mim! Admiro demais as mulheres que, ao passar por situações assim, como K. e tantas outras, conseguem viver, seguir adiante, cultivar o amor, manter um sorriso no rosto e ser feliz. Tanta gente que tem tudo, filhos juntinhos, e não conseguem ver nada de bom na vida porque são poços de amargura...
Nunca julguei a mulher que tomou uma decisão que, para os outros, parece ser estranha...já tive vontade de, na hora do desespero, como K. disse em seu relato, passar uma faca nos meus pulsos e deixar de vez meus filhos...por isso nunca olho só um lado da questão!
Torço para que K. e outras tantas mães possam viver intensamente da maternidade, longe ou perto!
Bjs

Vanessa postou o comentário número:

Mães são capazes de tudo pela vida dos filhos. Lindo depoimento e muito corajoso, pois se vê que não foi mesmo fácil. Com todo o seu amor cada dia será mais leve. Um beijo.

Daniela Moreno postou o comentário número:

não consigo se quer imaginar como deve ser difícil ficar longe de um filho... K com certeza é uma mulher MUITO forte!

beijocas pras duas!

Sessa Derger postou o comentário número:

Amei este depoimento, o amor de uma mãe é sempre verdadeiro e sincero,talvez seja o único amor verdadeiro. Um filho reconhece quando é amado! Bjsss

Lu Martins postou o comentário número:

Emocionante. Me separei do primeiro marido quando meus filhos tinham 1 1/2 e 3 anos. E Devido ao trabalho a avó paterna cuidava do mais novo pra mim, pois trabalhava em 2 empregos e meu pai ficava com a mais velha, e nessa de levá-lo cedo e buscá-lo a noite até mesmo em dias de muito frio, ele ficava constantemente doente e teve pneumonia grave, tive que deixá-lo com ela durante a semana e o pegava nas folgas, o tempo goi passando e ele começou a frequentar escola e ter todo carinho e atenção que eu não podia dar.... a avó cuida muito bem dele... e foi ficando até hoje e ele ja esta com 12 anos. O amo mais que tudo e sempre estamos juntos. Me casei novamente e hj moro confortavelmente, e não perdi a esperança de tê-lo morando comigo, mas como é muito apegado a avó é difícil pra ele também. Fico tranquila porque sei que ele é muito amado por suas duas mães, e hoje a decisão é dele.

Eu que fiz... ou quase isso postou o comentário número:

Nossa estou tão melancólica hoje e se eu não estivesse e bem atarefada, meu comentário seria um post, me emocionei com a história, me identifiquei, pois já fiquei meses distante da Rafaela pelos mesmos motivos, ai fico lembrando de atitudes corajosas que tomei quando eu tinha 16 anos e hoje aos 33 vejo que não sou mais a menina valente que um dia eu fui, infelizmente isso esta me apagando.

bjs

Gélia

Pepa postou o comentário número:

Ai Fer, sabe que esses depoimentos sempre me fazem chorar ??
O da semana passada eu chorei de soluçar... (me deixa, srsr)

Esse , é de doer no coração mesmo, nossa, quando eu tenho que viajar, coisas pequenas, um dia, dois... e tenho que deixar os bichinhos já fico com o coração na mão, imagina ter que fazer uma escolha tão dura ?
Que bom que ao passar do tempo, as coisas estão se ajeitando para essa super mãe !!!

Bjus 1000 em vc e nela !!!

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