segunda-feira, 20 de maio de 2013

Avó Maravilha aos 33 Anos - Fernanda Sahira



Fernanda é uma amiga querida da vida real. Além de ter um nome lindo como o meu, é divertida, meio doidinha e superbatalhadora. Eu a adoro e a admiro muito. Quando a conheci, em 2010, não consegui acreditar que aquela moça bem mais nova do que eu pudesse ser avó. Ela tem muitas histórias boas para contar. Para conhecer todas, você precisa passar um dia inteirinho lendo o blog dela, o Minha Mãe Sabia. Hoje, convidei a Fer para contar como soube que seria avó tão cedo:


 - "Gabriela que tanto sono"? perguntou Fernanda.
 - "Sei lá mãe..." respondeu Gaby.

Foi o que bastou. Ela tinha 18 anos, eu não havia desconfiado uma vez sequer, nem nas épocas de vômitos por causa da vesícula. Fui delicada como um chute de elefante, não me condenem, eu não tinha tanta noção de como ia ser difícil depois.


Simplesmente dei um grito:

- "Gabriela ACORDAAAAAAAAAAAAA, ahããã?? TU ESTÁ GRAVIDA!""

- "Mãe tu é louca! Que grávida??? Tá tudo certo, mês passado veio, tô cansada". E enquanto ela falava, eu já ia arrancando Gaby da cama.

Em duas horas já estávamos em uma clínica de imagens, porque não tive nem paciência para um exame de sangue. 

Fizemos o ultrassom e, naquele momento, ela ria de mim dizendo: -"Viu? Não tem nada."

A médica aumentou o som do aparelho e aquele barulho que parece uma máquina de lavar invadiu a sala. Gaby começou a chorar, não sabia o que falar, aliás falava coisas que hoje prefiro nem lembrar, e eu acalmei, abracei, chorei junto.

Havia 4 anos que ela morava com a avó, nos víamos muitas vezes, mas ficávamos pouco tempo juntas, porque mais de 3 dias já saía discussão.

Saímos da clínica, ela chorando no banco de trás do carro, meu marido pálido, e eu muda, só falava: - "Calma, vai dar tudo certo".

Mas e meu sentimento? Raiva!!! Sentia tanta raiva, porque na época estava começando a traçar metas e tentar coisas que pudessem mudar e melhorar a vida dela, e no entanto ela ficava grávida com 18 anos?

Mais que qualquer pessoa, sem dúvida, quem mais rejeitou fui eu. Sempre fui bem prática, ajudei, falava que tudo daria certo, apoiava, mas meu coração sentia tudo ao contrário. Eu não conseguia nem fazer muito carinho na barriga, não limpei um vômito, mas tentava "compensar" fazendo enxoval, indo ao médico...

Então, quando o médico contou que a neném estava dando trabalho e os riscos de um parto prematuro eram evidentes, comecei a ter medo. Tinha uma poupança guardada para uma viagem que estava programada há tempos e paguei um parto de emergência. No dia 12 de Março de 2010 nasceu a Lara, três dias antes do aniversário da avó, só para roubar a cena. 



Quando aquela ratinha veio pro meu colo e ficou aninhada, tudo mudou, ou meu coração fez minha cabeça aceitar.

Se chorei? Muito! A sensação de ser avó com 33 anos, foi extremamente difícil, eu queria cuidar, resolver, mas não podia afinal, ela é minha neta.

Ver a Gabriela ser independente e não pedir ajuda doía. E quando ela foi trabalhar e deixava a menina com a avó paterna? Mesmo eu tentando convencer que uma escolinha seria melhor...


Como é hoje? Muito bom, me faz sentir que sou forte também, minha neta é minha fã, hehehe, canta Elis Regina para mim, é calorenta e dorme na mesma posição que eu, faz o Edson (meu marido) e os meninos (pequenos tios) de gato e sapato, liga pra mim e diz: 

-"VÓÓÓÓÓ, tu estás me ouvindo?"
-"To Lara, pode falar
- "Sabe a tua filha Gabriela? Ela me xingou! Vem aqui em casa e me pega, tá? Diz pro Ed pegar o carro ou o meu dindo Alex me pegar."


Lara é minha parceira, tem as manchinhas de nascença da vó.



Uma boa vantagem? Quando o bicho pega, devolvo pra Gaby e digo, ó pega que a filha é tua. Mas morro de saudades quando fico muito tempo sem ver. Lara é o bebê da casa, mas ainda por mais que só pense, lamento pela gravidez tão precoce da minha filha, que hoje tem limites na vida, e cada passo que ela dá é muito mais sacrificante.

É isso, ser mãe e ser avó, me faz sentir o quanto estou viva...

*

Visite a loja virtual das minhas amigas Fernanda e Cissa






sábado, 18 de maio de 2013

Celebrando a Vida - Raquel e sua Avó Mila




Raquel Ramos do blog Superlinda veio nos convidar para celebrarmos com ela o centenário de nascimento de sua avó Mila, que é no dia 19 de Maio. Com certeza, Dona Mila fez grande diferença em sua comunidade. Parabéns, Raquel!


"Nós morávamos em Tijucas (SC) uma pequena cidade, onde não há quem não tenha conhecido a Dona Mila, a tia Mila ou a Dona Emília Ramos.

Ela era enfermeira obstetra, a parteira da cidade. Profissão a qual se agarrou, para sustentar seus dois filhos, após o falecimento de seu marido. Presença marcante, personalidade forte, porte físico grande, muito bonita, elegante, sempre bem vestida.

Na profissão ela foi brilhante. Cerca de 10.000 crianças nasceram em suas mãos, numa época, em que os partos eram feitos em casa, pela parteira.

Todos os dias ela almoçava na nossa casa, que ficava no caminho, entre o Posto de Saúde onde trabalhava e a casa onde morava. Próximo ao meio dia, sempre ouvia meu pai dizendo: - "Pode servir o almoço, porque a Nina chegou".

Somente meu pai se dirigia a ela chamando-a de Nina, não sei porque razão. Sentados à mesa, minha mãe, invariavelmente perguntava-lhe: E como foi sua noite? Isto porque todas as noites, alguém ia buscar minha avó em casa para fazer partos.

Fosse onde fosse, ela se levantava de madrugada para atender suas pacientes. O transporte podia ser carroça, carro de boi, automóvel ou a pé, ela nunca se negava. Com frio, com chuva, lá ia ela. E não foram poucas as vezes que ela fez mais de um parto por noite.

Por seus relatos, ficávamos também sabendo, se o parto havia sido fácil ou difícil, se nasceu menina ou menino, se uma só criança ou gêmeos. Eram muitas também as histórias, da parturiente, do marido, da sogra ou da mãe. Casos engraçados, alguns tristes.

Quando minha avó faleceu, durante o seu velório apesar da tristeza, muitas vezes rimos, porque toda pessoa que vinha para nos dar os pêsames, nos contava uma história que conhecia. Ou era do seu próprio parto, ou do parto da vizinha, ou da cunhada, de uma tia...

Hoje, na cidade, existe avenida com seu nome, sala cultural num asilo de idosos, e qualquer homenagem à personalidades da cidade, seu nome está incluído. Não faltarão a ela eventos comemorativos a passagem de seu centenário de nascimento no próximo dia 19 de maio.

Como avó, ela também cumpriu seu papel no verdadeiro sentido da palavra. Coisa boa era ir para a casa da Vó Mila!

Com as três netas meninas, ela brincava de boneca, de ir à manicure (ela fazia nossa unha da mão e do pé) e a melhor das brincadeiras na qual ela era especializada. Brincávamos de grávida (com travesseiro amarrado na barriga), íamos na D.Mila fazer exame.

Ela nos colocava deitadas na mesa para exames que havia em seu consultório, ouvia o coração do nenê com seu estetoscópio de madeira e nos dava o diagnóstico, dizendo que o bebê estava muito bem, quando deveria nascer e quando deveríamos voltar para novo exame (risos).

Quando seus bisnetos nasceram, ela já com a idade mais avançada, não trabalhava mais como parteira, mas dos cuidados pós parto das netas e do primeiro banho até o umbigo no nenê cair, era sempre ela quem cuidava.


Vó Mila com o bisneto Bernardo


Vinha para a nossa casa, cuidava de nós no período chamado "resguardo", ao qual os antigos, davam muita importância, fazendo canja de galinha, e mingau de maizena polvilhado de canela (hum hum hum) de sobremesa.

Não escondia a preferência que tinha pelo seu primeiro neto, Roberto, meu irmão. Ela comprava a camisa para todo o time futebol de crianças, desde que o Roberto pudesse jogar; no final do jogo todos iam para sua casa tomar o lanche que ela fazia. Fora o dinheirinho, (rsrsrs) que ela sempre colocava no bolso dele para o picolé.

Ciúmes infantis e brincadeiras à parte, ela foi para todas nós uma avó maravilhosa.




Vó Mila dando banho no bisneto Vinícius







sexta-feira, 17 de maio de 2013

Carta a minha avó - Andreia e D. Bela


A D. Bela (Noemia, minha querida!)

Oi vó, tudo bem com a senhora? 

Já faz um tempo que não nos vemos, nem nos falamos, mas saiba que sinto saudades... A ultima carta foi uma despedida sem abraço, foi a forma que encontrei de dizer tchau. Disse sem querer dizer.



Tantas coisas aconteceram, acho que a senhora já sabe, mas não custa comentar. Comecei uma nova faculdade, estou cursando Direito 2º ano), suas bisnetas estão moças, a Gigi, tá pensando em ganhar um dinheirinho trabalhando de final de semana, a Gabi com uns paquerinhas, o Gustavo começando a ler, ele é esperto, e eu estou me desdobrando entre casa, trabalho e faculdade, tá puxado, corrido e um pouco cansativo, mas quando o cansaço e o desânimo batem, ouço sempre sua voz doce, me dizendo: - "Tá certo minha filha, tem mesmo é que estudar, fazer o que gosta!"

Seu sorriso e alegria se mantêm presentes dentro de mim. Sempre me pego lembrando do seu jeito de gargalhar, do sabor do seu arroz, feijão, ovo frito e salada de tomate, que nunca mais comi um igual.

Não tenho muitas coisas pra escrever, porque sei que conversamos em sonhos, mesmo eu não me lembrando deles. As vezes me bate uma saudade, uma vontade de te abraçar, mas sei que a senhora está bem, e isso me conforta. 

Te amo, minha querida, um amor tão grande que nem o tempo, nem o espaço podem apagar. Fique bem e seja feliz!

Sua neta que te ama muito,

Andreia Lica


*

Encontre Andreia Lica no Facebook.


Visite o blog Renovando e Reciclando da Andreia Lica.







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